{"id":265,"date":"2025-08-25T21:19:13","date_gmt":"2025-08-25T21:19:13","guid":{"rendered":"https:\/\/lobitowebsite.com\/?p=265"},"modified":"2025-08-25T21:20:07","modified_gmt":"2025-08-25T21:20:07","slug":"lobito-lubito-olupitu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lobitowebsite.com\/?p=265","title":{"rendered":"Lobito [Lubito, Olupitu]"},"content":{"rendered":"\n<p>A designa\u00e7\u00e3o de Lobito parece provir do umbundo\u00a0<em>Olupito Vava<\/em>, significando &#8220;passagem de \u00e1gua&#8221;, depois simplificado em\u00a0<em>Lupita<\/em>, e finalmente aportuguesado. Ou, numa leitura an\u00e1loga, o top\u00f3nimo provir\u00e1 do umbundo (com o sentido de sa\u00edda, de porta para o mar)\u00a0<em>Olu<\/em>\u00a0+\u00a0<em>Pitu<\/em>, depois\u00a0<em>Olupitu<\/em>, depois\u00a0<em>Lubito<\/em>, hoje, errada mas correntemente, escrito Lobito.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Na transi\u00e7\u00e3o dos s\u00e9culos XIX\u2010XX d\u00e1\u2010se a funda\u00e7\u00e3o e desenvolvimento da urbe: houve uma primeira tentativa de fixa\u00e7\u00e3o, iniciada com a implanta\u00e7\u00e3o de um forte em 1842, que protegia o n\u00facleo do Lobito Velho, na decis\u00e3o de D. Maria II; esta tentativa falhou na pr\u00e1tica, no esfor\u00e7o de construir um n\u00facleo consistente, como se documenta nesta cita\u00e7\u00e3o de 1848: &#8220;o Convento do Carmo [em Luanda] foi mandado arrasar pelo Governador Bressane Leite a pretexto de arruinado, e de aproveitar as madeiras e a cantaria com que havia sido edificado, para servirem na sonhada funda\u00e7\u00e3o do estabelecimento do Lobito, ao Norte de Benguela, que n\u00e3o foi levado a efeito, mas com o qual despendeu n\u00e3o pouco a Fazenda P\u00fablica&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O Lobito, como estrutura urbana consistente, foi levantado no dealbar do s\u00e9culo XX, a norte de Benguela, sobre uma faixa de areia litor\u00e2nea, estendendo\u2010se numa longa e estreita restinga com 300 x 4.800 metros. Desenvolveu\u2010se a partir do seu porto, o qual foi constru\u00eddo numa primeira fase nas primeiras d\u00e9cadas de Novecentos. As potencialidades portu\u00e1rias do local vieram a afirm\u00e1\u2010lo em substitui\u00e7\u00e3o de Benguela. Data de 1907 o projeto para o novo porto, pelo capit\u00e3o de engenharia Sebasti\u00e3o Nunes da Mata, cuja constru\u00e7\u00e3o foi iniciada pelos empreiteiros Pauling &amp; Cia., em 1922, numa primeira fase (at\u00e9 1928), e ampliado em 1957, tendo sido sempre dinamizado pelo terminal ferrovi\u2010 \u00e1rio do Caminho\u2010de\u2010Ferro de Benguela. De facto, o n\u00facleo do Lobito moderno foi resultante da \u00e1rea da concess\u00e3o pelo governo \u00e0 poderosa Companhia do Caminho\u2010de\u2010Ferro de Benguela, em 1904, onde se instalaram a sede, o hospital, a esta\u00e7\u00e3o tel\u00e9grafo\u2010postal, as habita\u00e7\u00f5es dos engenheiros e funcion\u00e1rios e o hotel. A povoa\u00e7\u00e3o tornou\u2010se cidade em 1912, e teve c\u00e2mara em 1913.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Embora com um tra\u00e7ado adaptado ao recortado contorno costeiro, a malha urbana do Lobito n\u00e3o deixa de participar no modelo reticulado caracter\u00edstico da \u00e9poca final de Oitocentos, podendo identificar\u2010se duas \u00e1reas: a da l\u00edngua de areia, de estrutura lineal, alongada no sentido sudoeste\u2010nordeste; e a do setor mais a sul, onde a ret\u00edcula se p\u00f4de alargar, e que veio a congregar o terminal ferrovi\u00e1rio com o centro e os equipamentos principais da cidade. Conhece\u2010se planta de 1929. Pelos anos de 1910\u20101920, ao longo da estreita faixa de areal, alinhavam\u2010se as edifica\u00e7\u00f5es, que utilizavam largamente a madeira e o ferro. A Avenida Dr. Francisco Vieira Machado recebia os diversos edif\u00edcios p\u00fablicos, como o Pal\u00e1cio do Governador, envolvido de avarandados e com torre\u00e3o coberto por coruch\u00e9u. Segundo Henrique Galv\u00e3o, o Lobito apresentava potencialidades urbanas e um forte crescimento nos anos de 1940\u20101950: &#8220;Sobre a Restinga, que limita o porto &#8211; t\u00e3o rasteira e delgada que n\u00e4o se compreende bem porque o mar a respeita &#8211; construiu\u2010se a parte mais simp\u00e1tica da cidade: moradias de vila de Ver\u00e3o, \u00e0 beira\u2010mar [&#8230;] todas arrumadas em conjunto alegre e garrido, que as \u00e1guas do mar largo e as \u00e1guas prisioneiras do porto enfeitam com muita gra\u00e7a&#8221;. Mais recente, o testemunho de Ondina Braga refere a chegada &#8220;por caminho de ferro, o seu importante porto, o hotel sobre a praia: matabichamos com os p\u00e9s na areia, sumo de maracuj\u00e1&#8230;&#8221;.<br><\/p>\n\n\n\n<p>De facto, o Lobito desenvolveu\u2010se do nada, em 1910, para cerca de 50.000 habitantes em 1960, tornando\u2010se ent\u00e3o a segunda cidade mais importante em Angola, com Benguela secundarizada (mas de algum modo associada a este desenvolvimento, pela sua proximidade). Na d\u00e9cada de 1950, concebeu\u2010se o\u00a0<em>Plano Geral de Urbaniza\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0(do Minist\u00e9rio das Col\u00f3nias) que previu a extens\u00e3o da edifica\u00e7\u00e3o urbana \u00e0 envolvente da ba\u00eda. O\u00a0<em>Plano Hidrogr\u00e1fico do Porto do Lobito<\/em>\u00a0(pela Miss\u00e3o Hidrogr\u00e1fica de Angola, em 1950) apresenta um padr\u00e3o de cidade\u2010linear, implantada no sentido sudoeste\u2010nordeste. <\/p>\n\n\n\n<p>O porto estava ent\u00e3o amea\u00e7ado pelo assoreamento (a l\u00edngua da restinga, no extremo norte, avan\u00e7ava cerca de dez metros por ano na dire\u00e7\u00e3o de terra). Assim, em 1964, um sistema de quebra\u2010mares, estudados pelo Laborat\u00f3rio Nacional de Engenharia Civil e implantados ao longo da faixa atl\u00e2ntica, alterou o movimento das areias arrastadas pelo Rio Catumbela, detendo o seu avan\u00e7o e salvaguardando a entrada no porto (conforme testemunho do fot\u00f3grafo &#8220;Quitos&#8221;, Francisco Jorge Esperan\u00e7a J\u00fanior). A\u00a0<em>Unidade Residencial para os trabalhadores do Caminho de Ferro de Benguela e trabalhadores do Porto do Lobito<\/em>\u00a0corresponde a um plano setorial dos anos 1950, prevendo uma Unidade de Vizinhan\u00e7a, definindo um bairro para 6.000 habitantes &#8211; e denunciando a base econ\u00f3mica vital da urbe, ligada \u00e0 ferrovia e ao porto. A Companhia do Caminho\u2010de\u2010Ferro de Benguela, dominada por capitais ingleses e belgas, edificou ao longo da primeira metade do s\u00e9culo XX uma &#8220;cidade dentro da cidade&#8221;: bairros com hospitais, clubes recreativos, moradias para os diversos n\u00edveis sociais dos seus empregados, etc., tanto no Lobito como no Huambo.<\/p>\n\n\n\n<p><br>No per\u00edodo dos anos de 1950\u20101960 estava consolidada a paisagem urbana moderna do Lobito, marcada pelo espa\u00e7o urbano central, arborizado (as Portas do Mar, ou Pra\u00e7a Dr. Oliveira Salazar). Este definia uma \u00e1rea envolvida pelas colunatas da C\u00e2mara Municipal, a poente, com o Bar Tamariz, de desenho modernista, junto ao mar interior (a nascente), o Restaurante Luso (pelo construtor L\u00facio Fernandes) e o edif\u00edcio dos Correios, Tel\u00e9grafos e Telefones, de base modernista, com grelha central na esquina e solu\u00e7\u00e3o de gaveto, em molde Estado Novo (pelo &#8220;curioso&#8221; de arquitetura Mimoso Moreira, de 1941). A sul desta \u00e1rea, uma avenida articulava a esta\u00e7\u00e3o terminal do caminho\u2010de\u2010ferro com a sede do Caminho\u2010de\u2010Ferro de Benguela (de varandas cobertas em bet\u00e3o, pelo arquiteto J\u00falio Afonso, funcion\u00e1rio da companhia). Esta tinha em frente a sede da Associa\u00e7\u00e3o Comercial (atual sede do MPLA), e a poente o Hotel Terminus (tamb\u00e9m iniciativa do Caminho\u2010de\u2010Ferro de Benguela, atribu\u00eddo a Rodrigues Lima e ao engenheiro Gon\u00e7alo Cabral). Este conjunto de edifica\u00e7\u00f5es estava ligado a um amplo jardim. H\u00e1 tamb\u00e9m not\u00edcia de um primeiro projeto de hotel para o Caminho\u2010de\u2010Ferro de Benguela, por Guilherme Rebelo de Andrade, de 1929. H\u00e1 ainda refer\u00eancia a um Hotel Presidente, da autoria de Sousa Machado, arquiteto aven\u00e7ado do Caminho\u2010de\u2010Ferro de Benguela (que projetou pequenas esta\u00e7\u00f5es no interior de Angola). A norte destes espa\u00e7os, e sensivelmente a meio da restinga, abria\u2010se a Pra\u00e7a Lu\u00eds de Cam\u00f5es, com est\u00e1tua (depois destru\u00edda) e um conjunto edificado de desenho moderno. A norte do longo areal, a Rotunda do Infante Dom Henrique, com a est\u00e1tua inaugurada por Carmona na visita de 1938, assinalava a imagem de &#8220;cidade mais portuguesa de Portugal&#8221; que ent\u00e3o se pretendia dar ao Lobito.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A urbaniza\u00e7\u00e3o da cidade, ao longo dos anos 1950\u20101970, relevou o facto de que o Lobito constitui posivelmente a cria\u00e7\u00e3o mais bela do urbanismo do s\u00e9culo XX portugu\u00eas em Angola. De facto, no decorrer do processo urban\u00edstico e arquitet\u00f3nico da cidade, nesta fase, houve uma forte e coerente a\u00e7\u00e3o municipal qualificadora, importante pela sua continuidade no tempo e pelos resultados pr\u00e1ticos obtidos. Nestes termos, e constituindo um caso excepcional no quadro colonial, na rela\u00e7\u00e3o entre a atividade individual de um t\u00e9cnico e um dado meio urbano, o tema deve ser destacado. Esta a\u00e7\u00e3o foi protagonizada pelo arquiteto Francisco Castro Rodrigues. Este autor fixou\u2010se na cidade, entre 1953 e 1988, como funcion\u00e1rio municipal, com participa\u00e7\u00e3o decisiva nos campos municipal, urban\u00edstico, infraestrutural e arquitet\u00f3nico, tornando\u2010se um &#8220;criador de cidade moderna&#8221;, e seu &#8220;decisor t\u00e9cnico&#8221; com uma acertada vis\u00e3o dos valores do interesse p\u00fablico &#8211; um &#8220;ator&#8221; quase \u00fanico no quadro local. Como t\u00e9cnico do Gabinete de Urbaniza\u00e7\u00e3o do Ultramar, em Lisboa, foi contratado para aquela cidade atrav\u00e9s da Delega\u00e7\u00e3o Comercial do Minist\u00e9rio do Ultramar, trabalhando de modo din\u00e2mico para a velha aspira\u00e7\u00e3o do Lobito: abandonar a primitiva &#8220;cidade do mangal&#8221;, litoral e insalubre, por uma urbe de dimens\u00e3o moderna. Trabalhara antes, nos anos 1940, num plano geral da cidade (referido atr\u00e1s), e retomou o seu estudo no Lobito, com conhecimento do local e liberto dos constrangimentos metropolitanos. Daquele plano foi executado, cerca de 1955, o desnivelamento da rede ferrovi\u00e1ria junto ao seu terminal, eliminando a passagem de n\u00edvel para deste modo permitir a fluidez rodovi\u00e1ria que favorecia a expans\u00e3o urbana interna. Assim, o sistema urbano foi entendido de um modo global, em fun\u00e7\u00e3o das novas e crescentes fun\u00e7\u00f5es da cidade. Nessa perspectiva, a interven\u00e7\u00e3o urban\u00edstica municipal teve a vis\u00e3o e a possibilidade pr\u00e1tica de controlar (pelo menos em parte) a dimens\u00e3o e qualidade da urbe, em termos de planeamento e expans\u00e3o, no seu sistema de zonamento funcional, no desenho urbano e de mobili\u00e1rio, de espa\u00e7os verdes e da sua arquitetura, traduzida em obras de equipamentos para habita\u00e7\u00e3o de classe m\u00e9dia e de tipo &#8220;social&#8221;. <\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o municipal foi assim corrigindo os erros do plano oficial de 1944 (executado na metr\u00f3pole, e que Craveiro Lopes levara na sua viagem presidencial para oferecer ao Lobito), atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie de linhas de atua\u00e7\u00e3o escalonadas no tempo, seguindo uma linha metodol\u00f3gica do tipo plano\u2010processo, privilegiando o ordenamento urbano, a expans\u00e3o planeada e a arquitetura qualificada. Esta a\u00e7\u00e3o desenvolveu\u2010se em v\u00e1rias frentes e temas de fundo urban\u00edstico: propondo a corre\u00e7\u00e3o do tra\u00e7ado da linha ferrovi\u00e1ria (o terminal do Caminho\u2010de\u2010Ferro de Benguela), de forma a afastar a \u00e1rea de circula\u00e7\u00e3o e carga de mercadorias da \u00e1rea residencial e comercial em expans\u00e3o, e, com um novo ramal a nascente, ligar diretamente o Caminho\u2010de\u2010Ferro de Benguela ao setor portu\u00e1rio industrial; apoiando a consolida\u00e7\u00e3o da restinga, para salvar a abertura da cidade ao mar e expandir o porto da ba\u00eda interior, conseguido com a implanta\u00e7\u00e3o de um sistema sequencial de quebra\u2010mares; executando o novo aeroporto fora da \u00e1rea de expans\u00e3o urbana, na dire\u00e7\u00e3o sul, de Benguela, servindo assim as duas cidades em simult\u00e2neo; prevendo novas \u00e1reas de expans\u00e3o urbana sobre os anti\u2010 gos mangais, quer no Comp\u00e3o (para os novos equipamentos), quer no Caponde (para novos bairros residenciais), quer a sul deste (para reserva natural e parque urbano), quer ainda nos morros (para os bairros populares, como o Alto Liro e a Bela Vista). A \u00faltima fase do planeamento da cidade, no per\u00edodo colonial (anos de 1960\u20101970), atesta as tens\u00f5es existentes entre as principais for\u00e7as econ\u00f3micas e pol\u00edticas em presen\u00e7a e atuantes. O estudo de novo plano para o Lobito (elaborado entre 1959\u20101966) correspondia j\u00e1 a uma nova vis\u00e3o global da urbe, com utiliza\u00e7\u00e3o do zonamento e conceitos do urbanismo moderno segundo a Carta de Atenas. <\/p>\n\n\n\n<p>O seu principal objetivo era a transfer\u00eancia da rede ferrovi\u00e1ria do centro para a periferia, a nascente, com vista a a\u00ed servir a nova e crescente \u00e1rea industrial &#8211; autorizando, assim, uma ampla expans\u00e3o urbana nos espa\u00e7os libertos &#8211; por n\u00e3o haver outros terrenos, dado o contexto da implanta\u00e7\u00e3o da cidade. Uma comiss\u00e3o oficial foi nomeada pelo Governo\u2010Geral (com Castro Rodrigues, a C\u00e2mara Municipal de Lisboa e o arquiteto Negr\u00e3o, que representava o Caminho\u2010de\u2010Ferro de Benguela) para an\u00e1lise do novo plano, mas o Caminho\u2010de\u2010Ferro de Benguela op\u00f4s\u2010se \u00e0s altera\u00e7\u00f5es de fundo pretendidas e prop\u00f4s, em alternativa, um plano que seguia de muito perto o &#8220;velho&#8221; plano oficial (apenas com um novo aeroporto). O novo estudo aguardou cerca de quatro anos, at\u00e9 \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o do novo governador (Santos e Castro), que encarregou Castro Rodrigues de uma decis\u00e3o final, permitindo assim o desbloquear da situa\u00e7\u00e3o, avan\u00e7ando\u2010se para o\u00a0<em>Plano Director da Cidade do Lobito<\/em>\u00a0(para aprova\u00e7\u00e3o em 1971\u20101972). Com o apoio pol\u00edtico do governo\u2010geral, contra a poderosa Companhia de Caminho\u2010de\u2010Ferro de Benguela (que queria fugir aos custos do novo tra\u00e7ado ferrovi\u00e1rio), o munic\u00edpio deu por conclu\u00eddo o Plano Diretor, aprovado j\u00e1 em 1975, pela nova Rep\u00fablica, &#8220;por ter bases socialistas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00ed se previa uma cidade do Lobito para cerca de um milh\u00e3o de habitantes no ano 2000, com novo aeroporto e novo acesso por ferrovia &#8211; tudo hip\u00f3teses que v\u00e3o caminhando para a realidade, como se verificou na ocasi\u00e3o dos festejos dos oitenta anos da urbe (1912\u20101992). No plano arquitet\u00f3nico, a qualidade das obras municipais realizadas no Lobito refletiu e complementou a interven\u00e7\u00e3o urban\u00edstica, com constru\u00e7\u00f5es desde as infraestruturas ao mobili\u00e1rio, equipamentos e habita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Numa breve cronologia, destaquem\u2010se as a\u00e7\u00f5es municipais que mais contribu\u00edram para a moderniza\u00e7\u00e3o urbana: a passagem rodovi\u00e1ria desnivelada sobre a ferrovia, junto ao bairro central comercial, em 1963; a abertura e tratamento dos espa\u00e7os p\u00fablicos e seu mobili\u00e1rio (jardins, pra\u00e7as e monumentos); a arquitetura ef\u00e9mera de festas e celebra\u00e7\u00f5es (ilumina\u00e7\u00f5es e decora\u00e7\u00f5es p\u00fablicas nos cinquenta anos da cidade, em 1962\u20101963; a Feira das Ind\u00fastrias de Angola, em 1966); a execu\u00e7\u00e3o ou acabamento dos principais equipamentos, como a finaliza\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio da C\u00e2mara, o Mercado Municipal, o Cine\u2010Esplanada Flamingo, a nova Aerogare e o Liceu (entre 1962 e 1966); o bairro municipal do Alto Liro, para 7.500 fogos em regime de auto\u2010constru\u00e7\u00e3o, a executar em dois anos, pensado para os &#8220;ind\u00edgenas&#8221;, com base na nova legisla\u00e7\u00e3o colonial (1970\u20101973), fazendo a c\u00e2mara as funda\u00e7\u00f5es, e sendo oferecidos os restantes materiais (cimento da f\u00e1brica do Lobito, tijolos da Catumbela, chapas de cobertura da f\u00e1brica de Benguela).<\/p>\n\n\n\n<p>A experi\u00eancia, concretizada com \u00eaxito, foi de algum modo percursora dos bairros do SAAL (Servi\u00e7o de Apoio Ambulat\u00f3rio Local, dos anos revolucion\u00e1rios de 1974\u20101975), em Portugal. Monumentos e Estatu\u00e1ria Mencione\u2010se a est\u00e1tua ao infante D. Henrique (na rotunda do extremo norte da restinga), inaugurada por Carmona em 1938; outra a Lu\u00eds de Cam\u00f5es (anterior a 1965) e os dois pilares das Portas do Mar, de cerca de 1955; o obelisco &#8220;Aos que Tombaram em Defesa da P\u00e1tria&#8221;, uma esguia e elegante pe\u00e7a, inserida num espa\u00e7o urbano aberto na restinga, em bet\u00e3o aparente, vertical, de desenho abstrato, por Castro Rodrigues, de 1963.<\/p>\n\n\n\n<p>Por Jos\u00e9 Manuel Fernandes.<\/p>\n\n\n\n<p>This article was originally posted by hpip.org.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A designa\u00e7\u00e3o de Lobito parece provir do umbundo\u00a0Olupito Vava, significando &#8220;passagem de \u00e1gua&#8221;, depois simplificado em\u00a0Lupita, e finalmente<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":23,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,50,53],"tags":[65],"class_list":["post-265","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-curiosidades","category-lobito","category-noticias","tag-lobito"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lobitowebsite.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/265","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lobitowebsite.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lobitowebsite.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lobitowebsite.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lobitowebsite.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=265"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/lobitowebsite.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/265\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":266,"href":"https:\/\/lobitowebsite.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/265\/revisions\/266"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lobitowebsite.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/23"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lobitowebsite.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=265"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lobitowebsite.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=265"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lobitowebsite.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=265"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}